Uma distinção que evita confusão: este é o terminal do Município, para operar já em 2026/2027 — não é o megaterminal de R$ 300 milhões do masterplan, que pertence ao escopo da futura concessão federal do Porto e tem horizonte próprio.
A temporada 2025/2026 fechou em 18 de abril com base auditada e publicada escala por escala. O número que importa não é o volume bruto — é a natureza da operação: nove em cada dez passageiros não passaram pela cidade, começaram ou terminaram a viagem aqui.
Porto de escala recebe visitante por algumas horas. Porto-base recebe o passageiro antes, depois e com bagagem. O multiplicador de gasto é duas a três vezes maior — e é essa a operação que Itajaí faz hoje, em estrutura adaptada.
porto em movimentação de passageiros de cruzeiro em toda a América do Sul, atrás apenas de Santos e Buenos Aires.
porto de cruzeiros do país, à frente do Rio de Janeiro e atrás apenas de Santos.
Itajaí entre os três portos brasileiros premiados na categoria do Krooze Awards, o prêmio setorial da temporada brasileira.
Itajaí chegou ao segundo lugar do Brasil operando em centro de convenções adaptado. O terminal não vem corrigir um mau resultado — vem dar estrutura a um resultado que já existe.
Terminal é a porta. O que decide quanto o passageiro gasta — e se ele volta — é o que existe do lado de fora dela, no raio que dá para percorrer nas horas que ele já tem em terra.
Itajaí não disputa o litoral norte — conecta. Do terminal, o passageiro alcança em raio curto Navegantes, Balneário Camboriú, Bombinhas, Itapema — e o Beto Carreiro World, em Penha, no mesmo eixo rodoviário.






A Secretaria acompanhou uma temporada inteira, do primeiro ao último navio, dentro da operação. O diagnóstico não veio de relatório: veio de ver a fila, o guichê, a esteira e o ônibus funcionando no limite.
Embarque e desembarque de navio de mais de 4 mil passageiros conduzidos em centro de convenções adaptado, sem fluxo desenhado para bagagem, fila e controle migratório.
Polícia Federal, Receita Federal e autoridade portuária operando em arranjo improvisado a cada escala, com montagem e desmontagem repetidas ao longo da temporada.
Com a transferência da administração portuária para a esfera federal, a articulação que antes se resolvia dentro do Município passou a exigir um novo formato de trabalho entre as partes.
Um passivo de estrutura não aparece enquanto a temporada é pequena. Aparece quando o destino cresce — e foi exatamente isso que aconteceu.

Ao final da temporada, a SETUR abriu um grupo de trabalho com todas as partes que operam a escala. O terreno, a estrutura e o layout saíram desse grupo — e não de uma decisão de gabinete.
Concluído o layout, a Secretaria consultou o mercado para dimensionar soluções e custo, uma vez que a contratação não estava prevista no planejamento original do exercício.

| Zona funcional | Área |
|---|---|
| Retirada de bagagens | 1.054 m² |
| Lounge de espera | 425 m² |
| Inspeção — scanner de mão | 240 m² |
| Scanner e malas | 210 m² |
| Despacho de malas | 143 m² |
| Check-in | 130 m² |
| Área da Polícia Federal | 121 m² |
| Recepção e fila de inspeção | 98 m² |
| Banheiros, salas técnicas, sala de família e ambulatório | 197 m² |
| Área operacional útil | 2.895 m² |
O tempo de jornada foi projetado ambiente a ambiente, com e sem controle migratório. É o compromisso operacional que a estrutura assume com o armador e com o passageiro.
| Jornada | Configuração | Tempo projetado |
|---|---|---|
| Embarque | Cabotagem — sem controle migratório, sete estações | ≈ 25 min |
| Embarque | Internacional — com processamento migratório | ≈ 40 min |
| Desembarque | Cabotagem — sem passagem migratória | ≈ 12 min |
| Desembarque | Internacional — controle migratório integrado | ≈ 22 min |
| Trânsito | Configuração padrão — reinspeção em scanner dedicado | ≈ 5 min |
| Trânsito | Configuração alternativa — travessia com desembarque acelerado | ≈ 6 min |
| Vazão de embarque | Capacidade simultânea de ≈ 1.560 passageiros | ≈ 480 pax/hora |

O terminal fica em terreno dedicado na Vila Operária, isolado do fluxo de carga do complexo portuário. O ciclo de ônibus entre o cais e o terminal usa vias distintas na ida e na volta — sem cruzamento entre quem chega e quem parte.

Endereço próprio, acessos segregados e uma cidade-destino inteira em raio curto. É essa geografia que sustenta a tese de hub.
| A partir do terminal | Distância |
|---|---|
| Aeroporto Internacional de Navegantes | 4 km |
| Centro histórico | 2 km |
| Praia Brava e Cabeçudas | 3 km |
| Rede hoteleira | 4 km |
Praticamente nenhum porto-base brasileiro tem aeroporto internacional a quatro quilômetros do terminal.
O compromisso assumido com armadores, Polícia Federal, Receita Federal e autoridade portuária é ter a estrutura concluída e vistoriada antes da primeira escala. Todo o planejamento foi construído de trás para frente, a partir dessa data.
Entre a conclusão da estrutura e o primeiro passageiro existem doze dias. Foi por isso que o partido de projeto é modular — a velocidade de montagem não é preferência estética, é requisito de calendário.
Fila desenhada, assento para esperar, banheiro dimensionado, sala de família e ambulatório. O passageiro de porto-base passa horas em terra antes de embarcar — e essas horas passam a ser parte do produto, não um custo a suportar.
Área própria e permanente para Polícia Federal e Receita Federal, salas para as empresas, sala de comando compartilhada entre SETUR, Porto e PF. Sem montagem e desmontagem a cada escala.
Estrutura própria é o que permite negociar ciclos de 7 a 14 noites, ampliar a carteira de armadores para além dos que já operam e medir, pela primeira vez, o que o passageiro efetivamente gasta na cidade.
Terminal é infraestrutura, e infraestrutura não gera gasto sozinha. Quem gera é a experiência das horas em que a pessoa está na cidade. O terminal cria a condição — a permanência se constrói em terra, com o setor privado junto.
O passageiro que embarca em Itajaí pode pousar e estar no terminal em minutos — e, nas horas que antecedem o navio, atravessar a cidade inteira a pé ou em traslado curto. São poucos os portos-base do país que conseguem prometer as duas coisas ao mesmo tempo.
Em 25 de novembro de 2026, o primeiro navio da temporada encosta em Itajaí — e o passageiro será recebido em terminal próprio, projetado com quem opera, para o que a cidade faz. A partir dali, Itajaí deixa de ser um bom porto-base improvisado e passa a ser um porto-base estruturado da América do Sul.